quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Hungria Erasmus Tour 2007: O Início da Aventura - 30/08/07

Três e meia da manhã toca o despertador para um novo dia pleno de emoções e muita expectativa em relação à viagem e ao que nos espera na Hungria, mas ao mesmo tempo, uma certa tristeza e angústia apoderou-se de mim por deixar para trás a vida que bem conheço e principiar uma nova etapa que me levará, espero, a muitas alegrias e sucessos.

O percurso até ao aeroporto demorou cerca de vinte minutos e pelo caminho ía recebendo algumas mensagens de amigos que na noite anterior não puderam estar presentes na despedida mas que mesmo assim quiseram expressar o seu apoio e amizade desejando-me boa sorte e que tudo corresse bem.
No aeroporto já a Patrícia, uma das minhas duas companheiras nesta aventura, me esperava acompanhada pelos pais e alguns familiares, com a Daniela também acabada de chegar, trazendo atrás dela uma comitiva de
despedida que mais parecia uma claque. Uma vez que estávamos prontos e já com os bilhetes na mão dirigimo-nos ao balcão para fazer o check in, numa viagem que nos levaria do aeroporto Francisco Sá Carneiro até ao de Figo Maduro, em Lisboa. Ultimados os últimos pormenores veio a parte mais difícil, a despedida dos nossos familiares com muitas lágrimas à mistura seguidas dos últimos conselhos para que tudo corresse da melhor forma possível durante os próximos quatro meses. Descolamos às 06h15 para uma viagem de cerca de 50 minutos, que correu sem problemas.
Chegados a Lisboa fomos tomar o pequeno - almoço ao Harrod’s, só para matar o “bichinho” e descansar um pouco de toda a emoção. Entretanto, como tínhamos de esperar pela ligação do voo de Lisboa para Budapeste (capital da Hungria), encaminhamo-nos para a sala de espera onde um considerável número de pessoas esperava, ao que viemos a concluir, pelo mesmo avião. A hora da partida deveria ter sido às 10h15 minutos, contudo, devido a um atraso partimos da nossa capital vinte minutos depois da hora marcada. Prontos para a verdadeira partida, começou-me a vir ao pensamento todos aqueles sentimentos que qualquer um tem quando abandona o que tão bem conhece e parte para algo que anseia ser grandioso mas que não sabe ainda bem o que esperar, só reza para que seja bom.
Por fim lá levanta-mos voo rumo ao desconhecido e já com saudades de tudo e de todos. A viagem teria a duração de 3h30minutos, pelo que decidimos repousar um pouco para enfrentar o longo caminho que ainda nos esperava. Após uma boa sesta, foi-nos servido o almoço de confecção portuguesa e por sinal o último nos próximos tempos. Ai que saudades que vou ter dos cozinhados da minha mãe. Depois de alguma turbulência que se fez sentir lá aterramos no aeroporto de Budapeste para agora sim começar a verdadeira aventura. E que aventura!
Desembarcamos do avião e fomos directos buscar as malas onde esperamos uns bons 20 minutos. Ao fim desse tempo começamos a ficar preocupados, pois só tínhamos a roupa do pêlo e se algo tivesse acontecido à bagagem não havia muito a fazer, pois tínhamos a barreira da língua, uma vez que não encontramos ninguém a não ser um outro estudante português e esse sim ajudou-nos, que nos pudesse prestar qualquer auxílio. Até que por fim lá vieram as benditas e o alívio foi geral. Pelo meio disto tudo tive que cambiar dinheiro, Euros por Forints (HUF moeda oficial do país) e só depois seguimos caminho.
Já no terminal do aeroporto, o próximo passo era encontrar um meio de transporte que nos levasse até Budapeste para apanharmos o comboio para Pécs, cidade de destino. O meio que achamos mais conveniente foram os “minibus” (pagamos 2.300 HUF cada), umas carrinhas Ford de sete lugares, quase a cair aos bocados mas que nós os três achamos muita graça. A viagem do aeroporto até à estação de comboios não demorou mais de 20 minutos pelo que ainda tínhamos tempo para apanhar o IC Train (o inter-cidades da Hungria) que supostamente devia ser rápido!!!! Eu conto já mais à frente!
Na estação perguntamos pelas bilheteiras e lá fui eu e Patrícia comprar os bilhetes enquanto a Daniela ficou responsável por tomar conta de um montão de malas, que têm uma históooria! Comprados os bilhetes (3.750 HUF cada) tentamos saber qual seria a nossa linha, o que confesso foi um desafio, tipo jogos sem fronteiras. Primeiro vimos no placard electrónico onde marcava a nossa linha, a 13. No entanto à nossa frente só havia a linha 5, 7, 8, 9 e 10 e nada do resto. Optámos por perguntar às pessoas, uma vez que a pessoa que nos atendeu nas bilheteiras era quase um zero à esquerda no inglês. Contudo, ninguém percebia o que queríamos e andávamos de um lado para o outro com as malas e linha nem vê-la. Até que lá apareceu uma alma caridosa que num inglês meio arremessado nos indicou o caminho certo. Faltava um minuto para o embarque e nós toca a dar ao pedal e com alguma sorte o “pica” ainda nos deixou entrar tendo sido muito prestável ao ajudar-nos a carregar as malas para o comboio. Finalmente íamos a caminho de Pécs!
Mas esperem porque a aventura não acaba aqui! Sim, porque os nossos lugares estavam três carruagens mais à frente pelo que tivemos que atravessa-las, carregados com as malas e com muito pouco espaço de manobra. O verdadeiro desafio, acreditem!!! Depois de ter-mos suado e bem a camisola, estava na hora do merecido descanso dos guerreiros. A viagem demoraria cerca de 3h45minutos, mais coisa menos coisa, pelo que decidimos recostar, se é que assim se pode dizer num comboio apinhado de gente e de malas por todos os lados. Mas o pior até nem foi isso, pois quando ao fim de meia hora comecei a notar que a velocidade máxima a que o comboio circulava não ultrapassava os 50, 70 Km/H, começou-me a dar uma coisa má e só me apetecia chamar a “guarda” (esta é para quem me entende).
A viagem prosseguia a um ritmo de chorar e desesperar, visto depois de mais de cinco horas de viagens ainda ter que fazer mais três e tal àquela velocidade, decidi ir beber uma água para acalmar e me refrescar um pouco do tempo que, apesar de nublado estava bastante abafado. E não, não era do aquecimento porque não tinha.

O tempo lá foi passando e à medida que nos íamos aproximando de Pécs, segundo o rapaz com quem havia metido conversa, que com algum esforço me ia fornecendo algumas informações sobre a nossa possível localização, uma vez que as outras duas aventureiras tinham “fechado para obras, também o rapaz húngaro era um estrangeiro por aquelas bandas. Pelo meio fomos presenteados com as paisagens características da região, com alguns lagos e campos de cultivo à mistura, outros baldios, circundados por uma vegetação e uma flora bem diferente da que conhecemos, mas que fez sentir a sua presença e encanto.
Por fim, chegamos ao nosso destino, a cidade de Pécs, onde já nos esperava na estação a nossa guia, Cristine, uma estudante local que nos iria levar até ao nosso dormitório, ajudar-nos na instalação e com as burocracias normais destas andanças e por sinal muito simpática e prestativa ao ajudar-nos com a bagagem. Seguimos então da estação para a residência, Szántós Kollegium, de táxi (473 HUF cada), onde depois de descarregar as malas tivemos de subir até ao primeiro andar… pelas escadas, pois não havia elevador!! Mas esperem porque ainda está para vir o melhor. Contudo, houve um rapaz, estudante também, que teve a delicadeza de nos dar uma mãozinha com as malas. Na recepção a Cristine tratou de tudo com a funcionária de serviço, que apesar de não termos percebido nada foi muito atenciosa e simpática. Já com as chaves na mão só pensávamos em chegar aos quartos e conhecer o nosso habitat, e eis que surge o desafio dos desafios. Tínhamos que subir até ao quarto anda,r porque não havia mais para subir, para depois finalmente podermos descansarmos. DISSE MAL DA MINHA VIDA E DA OUTRA, ACREDITEM!!!
Bom, lá tinha que ser por isso metemos mãos ao trabalho e toca a carregar as malas por lá cima até ao último piso. A operação ainda demorou uns dez minutos, porque pelo meio já faltavam as forças, mas quando a Cristine perguntou o que queríamos para comer, surgiu-me assim uma força inesperada e a entrega ficou feita num instante, tipo DHL. Serviço terminado estava na hora de encher o depósito porque isto não anda só a pão e água. Pedi-mos então uma pizza familiar para os três, uma vez que a Cristine tinha de ir embora e não podia partilha-la connosco, e enquanto esperávamos (cerca de 30minutos) fomos pousar tudo aos quartos e tomar uma banhoca bem merecida para depois comer e descansar. A pizza entretanto chegou, comemos e depois cada um foi para o seu quarto, pois o dia tinha sido desgastante.

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